Os jovens NÃO SÃO TÃO tecnológicos #Opinião

Atualização: 12/2/2022

Os jovens NÃO SÃO TÃO tecnológicos #Opinião

A experiência surgiu na contratação de estagiários que precisavam cumprir tarefas básicas como copiar arquivos, criar pastas, acessar a internet e fazer download de programas


Os jovens NÃO SÃO TÃO tecnológicos


Os atuais jovens, com faixa entre 15 e 18 anos, não são tão tecnologicamente íntimos como se falava alguns anos atrás. Não sabem operar um computador ou notebook, nem criar pastas e muito menos instalar drivers. Imagina, então, formatar um HD e instalar um sistema operacional como Windows? Nem pensar! E se for falar do Linux, então? Corre o risco de imaginarem ser uma nova rede social.

Essa perplexa experiência foi vivenciada quando a Info Usado contratou estagiários para funções básicas na empresa e necessitava-se operar notebook. Até então, 5 jovens com idades de 16 ou 17 já haviam passado pela empresa. Apenas 1 conseguia trabalhar perfeitamente em um computador e para o restante foi necessário, às vezes, deslocar um pleno para ensinar o estagiário a acessar a internet por um navegador, por exemplo. A dificuldade foi que era preciso repetir a instrução semanalmente de como baixar um programa e copiá-lo em uma pasta específica, mesmo em alguns casos quando esta mesma tarefa havia sido feita no dia anterior.

Esses jovens pertencem à Geração Z e são nascidos a partir de 1995 até 2010. Não é um desmerecimento deles, mas uma observação de que quando a internet passou a se popularizar no Brasil em 2005 e 2006, a televisão comentava exponencialmente da Geração Z de uma forma que dominariam o mundo da tecnologia. Não é bem assim.

Muitos desses jovens estão fadados a serem encaminhados para funções braçais porque, desde um auxiliar administrativo, é necessário ter um uso de computador para acessar um sistema. Ser informatizado não é o mesmo que saber usar um Tik Tok ou um Instagram, esses são aplicativos para distração e são poucos os jovens que conseguem fazer das redes sociais a fonte de receita.

Claro, existem jovens autodidatas que aprenderam a criar aplicativos, fundaram uma startup e se tornarem milionários, no entanto, esses casos são muito, mas muito poucos. E também não é uma conquista exclusiva da Geração Z. Na humanidade, sempre tiveram pessoas que aprenderam algo sozinhas e conseguiram sucesso como o Geraldo Rufino que era um catador de latinhas e hoje é multimilionário.

Este texto não é uma crítica, apenas uma observação. Pode ser uma alta expectativa criada em torno deles? Pode, sim, mas a Geração Z é especialista em aplicativos de redes sociais e essa constatação é a crença que o smartphone pode substituir o PC ou notebook. Em período de Pandemia em que as aulas são online, com que qualidade farão os trabalhos escolares? O uso de smartphone é restrito no sentido de escrever um texto interpretativo sobre um assunto, sem contar que é mais difícil de manusear uma planilha eletrônica se comparado com um Excel em uma tela grande.

Para quem vivenciou a época analógica que dependia, às vezes, de uma Barsa para fazer uma pesquisa ou trabalho de escola ou a dificuldade que era para obter programas, drivers, músicas e filmes, a internet se tornou revolucionária por facilitar a comunicação e conhecimento, não deveria ser usada exclusivamente para trocas de memes. Sem contar no sentido de empobrecimento, os efeitos do uso constante de redes sociais traz prejuízos psicológicos e de comparação entre pessoas. Por ser uma vitrine em que cada um mostra a sua melhor versão, mesmo que enganosa, como ficam as pessoas que estão em momentos difíceis da sua vida?

E por que esses estagiários não tem familiaridade com o uso de um computador? Perguntei a eles e a resposta foi porque não tinham um em casa e as aulas de informática eram tão excassas no colégio que não aprenderam a apertar a tecla shift e fazer o acento circunflexo.

Ainda que as vendas de computadores caem ano após ano, ainda é um instrumento muito útil de aprendizado e necessário para se ter em casa. Tente comparar uma pesquisa na internet para fazer um trabalho ou escrever um texto entre um smartphone e computador. A qualidade final será muito melhor usando o segundo. Ou imagine aprender programação em um aparelho que as palavras devem ser digitadas com apenas dois polegares, não terá muito sucesso nessa área que é prodigiosa.

Mesmo que o smartphone reuniu muitas tecnologias em um aparelho bastante portátil, uma tela de 4" não é confortável o bastante para leituras de textos ou aprendizado de cursos em videos. É incômodo fazer um curso pelo smartphone porque é dificultoso fazer anotações ou fichamentos do conteúdo aprendido, principalmente quando os assuntos são teóricos e técnicos.

Além disso, o computador é mais barato que um smartphone se for bem escolhido e não precisa ser novo, pode ser uma peça de segunda mão. Contudo, um smartphone ponta de linha não é apenas um aparelho no bolso, se tornou um símbolo de estatus social.

É devido esta facilidade de reunir diversos recursos em um único dispositivo que os pais pensam ser desnecessário ter um computador em casa. Mas isso se tornará um problema no futuro, pois muitas empresas não contratam estagiários por serem crus em informática. Ou mesmo que estes jovens abram o próprio negócio, irão descobrir que emitir uma nota fiscal ou fazer os controles financeiros não é simples como apertar na tela para dar um tiro como em um Free Fire.

O texto não se aplica a todos os jovens da Geração Z. Se em algum ponto deste texto merecer complemento ou correção, por favor, comente. Será muito bem recebido.

 

Márcio Baldo

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